A privatização da internet foi um fracasso

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POR Paris Marx

Tradução Sofia Schurig, Jacobin Brasil

Em vez de realizar suas promessas utópicas, a privatização da internet teve consequências terríveis: proporcionaram novos meios de exploração das pessoas marginalizadas, possibilitaram uma nova onda de radicalização da direita e ajudaram a criar um mundo ainda mais desigual. Precisamos desprivatizar a rede e resgatar o ideário da internet pública.

Resenha do livro Internet for the People: The Fight for Our Digital Future, de Ben Tarnoff (Verso Books, June 2022)


Após várias décadas de experiência com a Internet, parece que chegamos a uma encruzilhada. A conexão que ela permite e as diversas formas de interação que dela crescem trouxeram, sem dúvida, benefícios. As pessoas podem se comunicar mais facilmente com outras que amam, acessar o conhecimento para se manterem informadas ou entretidas e encontrar uma miríade de novas oportunidades que de outra forma poderiam estar fora de alcance.

Mas se você perguntar às pessoas hoje sobre todos esses atributos positivos, é provável que elas também digam que a Internet tem vários problemas. O novo movimento Brandesiano chamando para “quebrar a Big Tech” dirá que o problema é a monopolização e o poder que as grandes empresas de tecnologia têm acumulado. Outros ativistas podem enquadrar o problema como a capacidade das empresas ou do Estado de usar as novas ferramentas oferecidas por esta infraestrutura digital para intrometer-se em nossa privacidade ou restringir nossa capacidade de nos expressarmos livremente. Dependendo de como o problema é definido, é apresentada uma série de reformas que afirmam conter essas ações indesejáveis e levar as empresas a abraçar um capitalismo digital mais ético.

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Em quadrinhos, metalúrgicos do ABC contam a história dos anos de ditadura

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“Ditadura: que história é essa?” retrata, a partir da visão dos operários perseguidos políticos, os horrores do regime autoritário “para que o passado não se repita”. Linguagem foi especialmente escolhida para sensibilizar público jovem
por Redação RBA publicado 24/10/2018 10h00, última modificação 25/10/2018 16h43
Divulgação
HQ Ditadura

Formato em quadrinhos busca aproximar os mais jovens das histórias sobre o período e combater desinformações Leia o resto deste post

O levante do rap no combate ao fascismo

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Extrema-direita em ascensão no país tenta se apropriar do gênero que nasceu dos jovens pobres das periferias urbanas. MC’s explicam como esse discurso vai na contramão da história da cultura hip-hop

por Felipe Mascari, da RBA publicado 04/10/2018 16h23, última modificação 05/10/2018 13h54
Rostand Costa

Diomedes Chinaski

Com sua bagagem nordestina, Diomedes usou suas rimas para atacar B.: ‘Não precisamos de mais retrógrados’

 

Não precisamos de mais retrógrados / Chega de armas, queremos livros

Nós não queremos riquezas em sarcófagos / Sem liberdade não estamos vivos

Vi a pobreza de perto, é um inferno / Senti a dor que nos leva pro crime

Não é um playboy militar que vai opinar / Ou julgar sobre o que nos define

Não tem cabimento, não seja um jumento / Até um cachorro entende essa equação

As mazelas da alma, os trauma e a dor / Se cura com amor, saúde e educação Leia o resto deste post

Setor privado será beneficiado com ensino médio público a distância

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outra ‘reforma’

Após renunciar à presidência da comissão que estuda mudanças no ensino médio, Callegari afirma que quem ganha são as “grandes empresas que já operam na educação superior do Brasil”
Assista à matéria completa:
por Redação RBA publicado 05/07/2018 13h03, última modificação 05/07/2018 14h00

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Agências de checagem, ‘fake news’ e censura se encontram na guerra política

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Episódio sobre o terço abençoado pelo papa Francisco entregue como presente a Lula levou jornalistas a questionarem o poder de censura e a capacidade de verificação das agências de ‘fact checking’

por Redação RBA publicado 13/06/2018 17h30, última modificação 13/06/2018 19h29
reprodução/arquivo
fake lula 

Portais questionam método e influências políticas de agências de checagem, que vêm ganhando demasiado poder Leia o resto deste post

Sim, há golpe de Estado

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Marilena Chaui | Le Monde Diplomatique Brasil | São Paulo – 31/08/2016 – 15h23

Fonte: Opera mundi

Na medida em que não há crime de responsabilidade, procedimentos empregados para promover impedimento pertencem à definição de golpe como ardil, manobra desleal, busca indevida de proveitos próprios e uso de injúrias contra Dilma

Espinosa recomenda que, numa investigação, comecemos pelo uso costumeiro das palavras porque, na origem, elas possuem função denotativa, isto é, indicativa de alguma coisa e somente depois adquirem um sentido conotativo, como nas metáforas, metonímias, sinédoques e outras figuras de linguagem. Se aceitarmos essa recomendação, ao empregar a palavra golpe convém buscarmos nos dicionários seu primeiro sentido. O Dicionário da Língua Portuguesa de Laudelino Freire, por exemplo, apresenta: “1. pancada com instrumento cortante ou contundente; 2. ferimento, ferida, brecha feita com instrumento cortante ou contundente; 3. acontecimento funesto inesperado; infortúnio; desgraça; 4. crise; 5. trama”. O Dicionário Houaiss registra os mesmos significados, mas acrescenta: “ato pelo qual uma pessoa, utilizando-se de práticas ardilosas, obtém proveitos indevidos; estratagema, ardil, trama, manobra desleal […] ataque acintoso por meio de palavras, injúria, insulto”. Entre os inúmeros sentidos figurados, os dicionários registram “golpe de Estado”. Laudelino Freire registra: “1. ato violento a que um governo recorre para sustentar o poder; 2. trama pela qual indivíduos por meios violentos derrubam o governo estabelecido”. E Houaiss: “1. tomada inesperada do poder governamental pela força sem participação do povo; 2. ato pelo qual um governo tenta manter-se no poder pela força, além do tempo devido”. Nessa perspectiva, compreende-se que muitos afirmem, incluindo o PT, que não está havendo um golpe de Estado, pois tudo se passa segundo a legalidade posta pela Constituição, não há uso da força nem mudança do regime (não se passa da democracia para a ditadura).

Examinemos, porém, os procedimentos empregados. Na medida em que não há crime de responsabilidade pública por parte da presidenta agora destituída Dilma Rousseff, os procedimentos empregados para promover seu impedimento pertencem à definição de golpe como trama, ardil, estratagema, manobra desleal, busca indevida de proveitos próprios e uso de palavras acintosas e injuriosas contra a sua pessoa. Em outros termos, a lei está sendo usada para pisotear o direito. Estamos, pois, perante o núcleo da palavra golpe como violência, desgraça, ferida e crise.

Mais importante: examinemos se, de fato, não há mudança de regime.

Agência Efe

Senado brasileiro votou pelo impeachment de Dilma Rousseff

Em primeiro lugar, estamos perante a desinstitucionalização da república. Na medida em que o pilar da forma republicana é a autonomia dos três poderes, vemos que esta se encontra rompida, por um lado, pelo que se denomina “judicialização da política” (em que poder judiciário opera para bloquear o trabalho dos conflitos – trabalho que é o núcleo da democracia), além de interferir diretamente de maneira seletiva e pré-determinada nos dois outros poderes. Por outro lado, é notória a interferência do poder executivo de Temer sobre o poder legislativo para a compra ou barganha de votos do Senado. Podemos não estar perante uma ditadura militar, mas percebemos claramente não que estamos diante de uma verdadeira república.

Em segundo lugar, e muito mais grave, estamos diante da desconstrução da democracia. Esta, como sabemos, não se define apenas pela concepção liberal, que a reduz a um regime político baseado na ideia de direitos civis, organizada em partidos políticos e que se manifesta no processo eleitoral de escolha dos representantes e nas soluções técnicas para os problemas econômicos e sociais. A marca da democracia é a criação de direitos e a garantia de seu exercício.Neste momento, que se passa com o direito à igualdade? Está destruída, como indicam as medidas já tomadas pelo governo Temer e as anunciadas por ele (como a PEC 241) e os 59 projetos de lei trazidos ao Congresso pela bancada do Boi, da Bala e da Bíblia, que selam a recusa da igualdade econômica, social, racial, sexual, religiosa, fundada nos direitos econômicos, sociais e culturais conquistados nos últimos quinze anos graças, de um lado, a políticas de erradicação da miséria e de inclusão por meio de transferência de renda, e, de outro lado, pela criação das secretarias de ações afirmativas.

Agência Efe

Na medida em que não há crime de responsabilidade pública, os procedimentos empregados para promover impedimento pertencem à definição de golpe

Que se passa com o direito à liberdade? Está sendo pisoteada, em primeiro lugar, pela supressão da Secretaria de Direitos Humanos e sua substituição pela Secretaria de Segurança Nacional, sob o comando de um general; em segundo lugar, pelo recurso ininterrupto às força policiais para reprimir movimentos populares e sociais de contestação e de reivindicação (fato observado sobretudo nas cidades menores do Sul e Sudeste e nas grandes cidades do Norte e do Nordeste), anunciando o emprego futuro da lei antiterrorismo contra a população.

Que se passa com a participação? Tornou-se impossível porque há o monopólio da informação pelos meios de comunicação, que não apenas desinformam, mas produzem ininterruptamente falsas informações.

Conclusão: podemos ainda não estar num Estado policial, mas certamente já não estamos numa democracia.

Finalmente, a questão da soberania. A política externa do governo Temer, abandonando a política ativa e altiva dos governos Lula e Dilma, quebrou o Brics e o Mercosul e outros organismos de unificação continental, restaurou a geopolítica que orientou e comandou o golpe de 1964, isto é, recolocou o país submisso à esfera de poder e influência dos Estados Unidos, do Banco Mundial e do FMI. E, evidentemente, no que diz respeito às fontes de energia, em particular o petróleo, essa decisão geopolítica lançará o Brasil no mundo do confronto sangrento que marca a situação do Oriente Médio.

Nestas circunstâncias, como não falar em golpe de Estado?

Texto originalmente publicado em Le Monde Diplomatique Brasil

livro “Golpe en Brasil – genealogía de una farsa”

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Livro GolpeEnBrasil- genealogía de una farsa (Buenos Aires: Clacso / Octubre editorial, 2016). Edição de Pablo Gentili, com textos dos seguintes autores:

Pablo Gentili [Editor] | Adolfo Pérez Esquivel | Amy Goodman | Boaventura de Sousa Santos | Cuauhtémoc Cárdenas | Eduardo Fagnani | Elodie Descamps | Frei Betto | Glenn Greenwald | Guilherme Santos Mello | Immanuel Wallerstein | João Feres Jr. | João Pedro Stédile | Leonardo Boff | Luiz Gonzaga Belluzzo | Mark Weisbrot | Michael Löwy | Paulo Kliass | Pedro Paulo Zahluth Bastos | Perry Anderson | Raúl Zibechi | Tarik Bouafia

E entrevistas com Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, além de uma apresentação de Victor Santa María e Nicolás Trotta.Captura de Tela 2016-06-30 às 18.20.20

O que está acontecendo no Brasil?

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A Coordenadoria de Cultura (CCult) da Pró-Reitoria de Extensão (ProEx) da UFSCar está realizando neste semestre edição especial do Fórum de Debates

 “O que está acontecendo no Brasil?”

Captura de Tela 2016-05-13 às 16.07.57

Os encontros que já aconteceram:

em 23 de mar de 2016
Gabriel Feltran, professor de sociologia da UFSCar, debate com a comunidade universitária a conjuntura política brasileiral. É o primeiro encontro do Fórum de Debates – O que está acontecendo no Brasil? – que teve lugar em São Carlos, na noite de 22 de março de 2016. Mediação: Wilson Alves-Bezerra.

 

30 de mar de 2016
2a edição do Fórum de Debates – O que está acontecendo no Brasil?
Democracia, desenvolvimento e inclusão – o legado da Constituição de 1988 em disputa. Debate com Vera Cepêda (UFSCar). São Carlos, 29 de março de 2016. Mediação: Wilson Alves-Bezerra.

 

7 de abr de 2016
3a edição do Fórum de Debates – O que está acontecendo no Brasil?
– Crise econômica e limites da democracia no Brasil. Debate com Joelson Carvalho (UFSCar). São Carlos, 5 de abril de 2016. Mediação: Wilson Alves-Bezerra.

 

14 de abr de 2016
4a edição do Fórum de Debates – O que está acontecendo no Brasil?
– Estado Penal, polícia, política no Brasil Contemporâneo . Debate com Jacqueline Sinhoretto (UFSCar). São Carlos, 12 de abril de 2016. Mediação: Wilson Alves-Bezerra.

 

em 27 de abr de 2016
5a edição do Fórum de Debates da UFSCar, série O que está acontecendo no Brasil? – com o jornalista Luiz Carlos Azenha. Debatedor: Wilson Alves-Bezerra.

 

5 de mai de 2016
Na 6a edição do Fórum de Debates – O que está acontecendo no Brasil? – o filósofo Wolfgang Leo Maar discute democracia, luta de classes e a conjuntura política atual. Mediação: Wilson Alves-Bezerra.

 

12 de mai de 2016
O jornalista e professor da ECA Eugenio Bucci fala sobre a grande imprensa brasileira, da qual é parte; analisa o papel da mídia na cobertura do impeachment de Fernando Collor de Mello e de Dilma Rousseff. Mediação: Oswaldo Truzzi.

 

13 de mai de 2016
A psicanalista Maria Rita Kehl no Fórum de Debates da UFSCar, em memorável palestra sobre cidadania, história e cultura brasileira. O evento foi parte do Fórum de Debates – O que está acontecendo no Brasil? e da XIII Feira do Livro da UFSCar. Mediação: Oswaldo Truzzi.

 

Secretaria de Cultura UFSCar
Coordenadoria de Cultura da UFSCar