A técnica é constitutiva do conhecimento objetivo

Gilbert Simondon

Sugestão de leitura para o primeiro encontro: Um quadro teórico-metodológico para o estudo dos objetos editoriais: contribuições da geografia de Milton Santos (2020)

Objetos editoriais são objetos técnicos que supõem uma cadeia criativa e uma cadeia produtiva, nas quais técnicas e normas são administradas por diferentes atores, com vistas à formalização material de uma síntese de valor sígnico, que enseja uma circulação pública, apontando para uma autoria e projetando um público leitor.

[…] toda a lógica do campo editorial e a crença literária que aí se engendra predispõem a esquecer que as interações, menos ou mais encantadas, que têm lugar em cada microcosmo editorial, são determinadas pela estrutura do campo editorial em seu conjunto: de fato, ela determina o tamanho e a estrutura da unidade responsável pela decisão (que vai do “decisor” único, ou que parece único, das pequenas editoras, ao complexo campo de poderes das grandes); essa estrutura define também o poder relativo, entre os diversos agentes, dos diferentes critérios de avaliação que os predispõem, por exemplo, a pender para o lado do “literário” ou para o lado do “comercial”, ou, segundo a velha oposição cara a Flaubert, a privilegiar a arte ou o dinheiro. Cada editora ocupa, em um dado momento, uma posição no campo editorial, que depende de sua posição na distribuição dos recursos raros (econômicos, simbólicos, técnicos etc.) e dos poderes por eles conferidos; é essa posição estrutural que orienta as tomadas de posição de seus “dirigentes”, suas estratégias para publicação de obras francesas ou estrangeiras, definindo o sistema de coerções e de finalidades que se impõe, assim como as “margens de manobra”, muitas vezes bem estreitas, que se delimitam nos confrontos e nas lutas entre os protagonistas do jogo editorial.

(BOURDIEU, 2018, p. 200)

CRONOGRAMA

tópico de cada encontropara preparar o encontro seguinte  
AGO  
17objetos editoriaisSimondon, a cibernética e a mecanologia (Domingues, 2015)   sugestão audiovisual: “Simondon del desierto” (François Lagarde, 2012)  

Obs: pra quem quiser aquela introduçãozinha a Simondon…
24semiologia dos objetos técnicosPor uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal (Milton Santos, 2000)*  
SET  
21tecnoesfera e psicoesferaPor uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal (Milton Santos, 2000)*  
28elementos da globalização, tempo presenteTransmitir: o segredo e a força das ideias (Régis Debray, 2000)*  
OUT  
19mídium, cultura e subjetividadeTransmitir: o segredo e a força das ideias (Régis Debray, 2000)*  
26OM/MO
NOV  
23participo da FLIP – não tem encontroUma revolução conservadora na edição (Pierre Bourdieu, 1999)
30campo, entrecampo, perspectiva sistêmicaTinha um editor no meio do caminho (José Muniz Jr., 2018)*  
DEZ  
14o texto como síntese de valor sígnico, autoria e materialidades tangíveis
   

Programa de leituras

1o Bloco: Sobre objetos técnicos – Tecnoesfera e Psicoesfera

SALGADO, Luciana Salazar. Um quadro teórico-metodológico para estudo dos objetos editoriais: contribuições da geografia de Milton Santos. In Cadernos do IEB, n. 13, Universidade de São Paulo, p.101-112, 2020.

DOMINGUES, Ivan. Simondon, a cibernética e a mecanologia. In: Scientiæ Studia, São Paulo, v. 13, n. 2, p. 283-306, 2015.

SANTOS, Milton.  Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 18a ed. Rio de Janeiro: Record, 2009.

[aprofundamento]

BONA, Dénetèm Touam.  Cosmopoéticas do refúgio. Trad. Milena Duchiade.  Cultura e Barbárie, 2020.

LANIER, Jaron. Bem-vindo ao futuro. Trad. Cristina Yamagami.  São Paulo: Saraiva, 2012.

WARK, Mackenzie. O capital está morto. Trad. Dafne Melo. São Paulo: Funilaria e sobinfluência, 2022.

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2o Bloco:  Sobre mídium –  vetores de sensibilidade e matrizes de sociabilidade

DEBRAY, Régis. Transmitir. O segredo e a força das ideias. Trad. Guilherme Teixeira. Petrópolis: Vozes, 2000.

[aprofundamento]

GENETTE, Gérard. Paratextos editoriais. Trad. Álvaro Faleiros. Cotia: Ateliê, 2009.

MELOT, Michel. Livro,. Trad. Marisa Midori, Valéria Guimarães. Cotia: Ateliê Editorial, 2012.

TSCHICHOLD, Jan. A forma do livro. Ensaios sobre tipografia e estética do livro. Trad. José Laurenio de Melo. Coria: Ateliê, 2007.

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3o Bloco: Sobre edição – campo, entrecampo, produção de valor

BOURDIEU, Pierre. Uma revolução conservadora na edição. Trad. Luciana Salazar Salgado e José de Souza Muniz Jr. In: Sociedade & Política, Florianópolis – Vol. 17 – Nº 39 – Mai./Ago. de 2018.

MUNIZ Jr., José de Souza. Tinha um editor no meio do caminho. Divinópolis: Artigo A, 2018. Col. Questões contemporâneas de edição, preparação e revisão textual.

[aprofundamento]

DUJOVNE, Alejandro. A pátria portátil. uma história do livro judaico na Argentina. Trad.  Joyce Colaça, Phellipe Marcel.  Rio de Janeiro: Mórula, SELB, 2021.

PRIMO, Gustavo. Ver o livro como buraco negro: a formalização material da Antologia da Literatura Fantástica, de Bioy Casares, Borges e Ocampo. 2019. Dissertação (Mestrado em Estudos de Literatura) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2019.

THOMPSON, John B. As guerras dos Livros – a revolução digital no mundo editorial. Trad. Fernando Santos. São Paulo: Editora da Unesp, 2021.

SANTANA, Letícia. Edição, livros e leitura – um olhar editorial sobre a tela grande. Belo Horizonte: Contafios, 2020. Capítulo sobre autoria, disponível aqui.

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Observações:

  • sim, é uma bibliografia predominantemente masculina… A justificativa para cada título será dada no primeiro encontro. De todo modo, é um dado que se já pode reter: diz muito sobre o mercado editorial e o funcionamento acadêmico;
  • outros títulos serão mencionados ao longo dos encontros, com vistas a oferecer caminhos de pesquisa diversos, conforme o andamento dos trabalhos.

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Avaliação

Podcast sobre tema de pesquisa: roteiro para até 20’

entrega em 20/01/24

Os parâmetros do roteiro serão discutidos ao longo dos encontros.